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Do giz ao EAD: a tecnologia a favor da educação PDF Imprimir E-mail
Ricardo Althoff   
30-Jan-2017
Esqueçam a discussão sobre o uso ou não da tecnologia como ferramenta de aprendizado. A tecnologia não só faz parte do aprendizado, como é primordial no modo como a geração atual lida com o mundo. A criança e o adolescente já não tem o problema da falta de informação disponível. Isso eles obtém rápido e fácil com qualquer aparelho de celular, mesmo os mais simples. A escola já abandonou o posto de simples disseminadora de informação.


Apesar dos livros e do conhecimento do educador, o maior repositório de conhecimento é a internet. Ignorar essa disponibilidade é contraproducente, e englobá-la na estratégia de ensino é o caminho lógico. Aos poucos a tecnologia mudou prática do ensino, o que demandou reciclagem e mudança das estruturas escolares e seus profissionais. A evolução ocorreu de forma natural, partindo do princípio de que a mente das crianças e adolescentes já se habituaram a uma quantidade muito maior de informação desde muito cedo.


Simplesmente se prender à técnicas ultrapassadas é sub aproveitar o potencial dessa geração. O uso de dispositivos tecnológicos, se bem orientados, estimulam a criatividade, o raciocínio, a capacidade de pesquisar, coisa que muitos não aprendem na escola. O foco dessa orientação é o que deve ser trabalhado pelo educador, evitando o vício em atividades inúteis, e encaminhando o aluno para um uso prático e objeto dentro de sala de aula. e fora dela. Para tudo se demanda planejamento de aulas e do método de ensino.


O giz ficou de lado. Interatividade é a palavra da vez. A participação do aluno na construção do aprendizado é maior. Isso demanda mudanças da dinâmica. O EAD (ensino a distância) ganhou mais adeptos, não só para cursos inteiros, mas também para complementos, como o reforço, simplesmente porque esse é o caminho para a complementariedade da educação. Hoje já existem matérias e conhecimentos que necessitam da internet para serem adquiridos, não tendo utilidade fora do ambiente tecnológico e online.


O contato com o conhecimento fora de aula também ampliou o tempo do aluno aprendendo. Quando trabalhos são feitos da maneira correta, usando uma plataforma interativa, ou revisões, reforço ou estudo para provas, são feitos através de conteúdos online, seja através de um curso com professores online ou vídeos e podcasts, há um maior aproveitamento do aluno. O tempo do professor deve ser bem gasto em sala, não para o básico, mas para o que só a técnica de ensino pode trazer.


A tecnologia mudou a profissão do educador. Hoje ele já tem opções como ser produtor de conteúdo relevante, independente da escola. O escopo do ensino, para o profissional, é maior. Talvez o problema ainda existente é que a maioria desses profissionais ainda está habituada a essa realidade. A formação de profissionais que lidam com a tecnologia está acontecendo na prática vivida em sala de aula. Ainda não temos faculdades formais que lidam 100% com essa situação.


Usar uma matéria online apenas para uma vídeo-aula passada através de um quadro, não é usar a tecnologia. Não gera interatividade real. A integração total ainda foge aos planos de aula. Não basta passar conteúdo. É preciso interagir, engajar a mente do aluno e fazê-lo usar a tecnologia para resolver problemas, a tecnologia deve ajudar, não ser só uma via expositiva. Há uma demanda em inovar no currículo que forma o profissional da educação.
Essa mescla de prática com teoria, ferramenta física, com ferramenta mental, tudo isso ainda precisa ser melhor pensado.


As universidades já formam professores que não se lembram do que é não ter internet, mas não formam profissionais que sentem a tecnologia como indispensável para o ensino progressivo dessa geração. Podemos ir muito mais longe se pararmos para analisar as possibilidades. Inclusive entregar parte do aprendizado ao aluno, porque a ferramenta ele tem, assim como o conhecimento disponível, o que lhe falta é o fator humano que efetivamente ensina o que fazer com tudo isso.


A verdade é que ainda não sabemos completamente “ser digitais”, mas esse é um caminho sem volta, e deve-se investir em compreender como. O profissional deve expandir seus horizontes, assim como os alunos. Ensinar é algo do humano, mas o que o humano pode fazer com a máquina se ampliou muito. A tecnologia está a favor da educação. É preciso se adaptar.


Ricardo Althoff é CEO da Seu Professor Empreendedor & Negócios.
 
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