{"id":3087,"date":"2020-06-23T10:36:37","date_gmt":"2020-06-23T13:36:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/?p=3087"},"modified":"2020-06-23T10:36:37","modified_gmt":"2020-06-23T13:36:37","slug":"em-sua-estreia-na-poesia-jacyntho-brandao-investiga-o-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/em-sua-estreia-na-poesia-jacyntho-brandao-investiga-o-nada\/","title":{"rendered":"Em sua estreia na poesia, Jacyntho Brand\u00e3o investiga o \u2018nada\u2019"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3088\" aria-describedby=\"caption-attachment-3088\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3088\" src=\"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Mais-um-nada-300x172.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"172\" srcset=\"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Mais-um-nada-300x172.jpg 300w, https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Mais-um-nada.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3088\" class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Perto de completar 70 anos, Jacyntho Lins Brand\u00e3o, professor em\u00e9rito da Faculdade de Letras da UFMG e um dos mais destacados especialistas em antiguidade grega do Brasil, acaba de lan\u00e7ar seu primeiro livro de poesias, Mais (um) nada, pela editora Quixote+Do, de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>O livro traz 32 poemas em que o poeta, alternando-se entre o erudito e o zombeteiro, o desbocado e o sentimental, evoca a pr\u00f3pria biografia \u2013 assim como saberes referentes aos campos de conhecimento em que \u00e9 versado, como a filosofia, o teatro, a no\u00e7\u00e3o de cidade e a pr\u00f3pria literatura \u2013 para estabelecer uma obra de forte car\u00e1ter metapo\u00e9tico, atravessada pela no\u00e7\u00e3o de \u201cnada\u201d e as suas implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para a poeta Ana Martins Marques, que assina a orelha da obra, trata-se de um livro que parece ter a dicotomia \u201cganhar (perder)\u201d como a sua for\u00e7a-mestra, por meio da qual Jacyntho termina fazendo uma esp\u00e9cie de \u201ccontabilidade de perdas, vazios e aus\u00eancias\u201d para os quais a literatura, em si mesma, n\u00e3o parece oferecer salva\u00e7\u00e3o. (\u201cSe algo ajuda n\u00e3o \u00e9 literatura\u201d, registra o professor em um verso.)<\/p>\n<p>Ela prossegue: \u201cO c\u00f4mico, o ceticismo, a ironia, os jogos de palavras, mas tamb\u00e9m a disciplina e o rigor das formas, s\u00e3o aqui as armas com que o poeta se bate contra a falta de sentido, o vazio, o absurdo, \u2018a imensid\u00e3o do nada\u2019, o luto, a perda. A m\u00e9trica, e tamb\u00e9m a rima, criam alguma ordem, ausente no mundo, que \u00e9 sem rima e sem raz\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>&#8216;S\u00f3 vencidos&#8217;<\/strong><br \/>\nCom a no\u00e7\u00e3o de &#8216;nada&#8217; como eixo, a obra de Jacyntho termina por trazer a morte como a sua imagem mais recorrente: \u201cA correnteza contra a qual se nada \/ N\u00e3o deixa vencedores: s\u00f3 vencidos\u201d. Contudo, diante da \u201cindesejada das gentes\u201d, ser\u00e1 a experi\u00eancia da vida, no tempo presente, e n\u00e3o da morte, no tempo inominado, o que ser\u00e1 cantado pelo poeta como a sina \u00e0 qual todos devem se resignar, como descrito no desfecho do pen\u00faltimo poema do livro: \u201cO que tens de saber que te anuncio \/ \u00c9 coisa s\u00f3: tua simples condi\u00e7\u00e3o \/ De perec\u00edvel: mais al\u00e9m n\u00e3o mires \/ Porque no fim partir \u00e9 o que te \u00e9 dado \/\/ Viver o teu instante \u00e9 o teu fado\u201d. O \u00faltimo, Soneto part\u2019ido, \u00e9 dedicado ao filho Pedro, falecido h\u00e1 dois anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perto de completar 70 anos, Jacyntho Lins Brand\u00e3o, professor em\u00e9rito da Faculdade de Letras da UFMG e um dos mais destacados especialistas em antiguidade grega do Brasil, acaba de lan\u00e7ar seu primeiro livro de poesias, Mais (um) nada, pela editora Quixote+Do, de Belo Horizonte. 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