{"id":3666,"date":"2020-07-30T17:59:21","date_gmt":"2020-07-30T20:59:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/?p=3666"},"modified":"2020-07-30T17:59:21","modified_gmt":"2020-07-30T20:59:21","slug":"o-normal-dos-anormais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/o-normal-dos-anormais\/","title":{"rendered":"O normal dos anormais"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3667\" aria-describedby=\"caption-attachment-3667\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3667\" src=\"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Julio-Gavinho-300x280.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"280\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3667\" class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><em><strong>Julio Gavinho \u00e9 executivo da \u00e1rea de hotelaria com 30 anos de experi\u00eancia, s\u00f3cio e Diretor da MTD Hospitality, Diretor Executivo\u201d da Dee Participa\u00e7\u00f5es e professor do curso de MBA em hotelaria de luxo e do curso de MBA em arquitetura de luxo da Faculdade Roberto Miranda.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>A palavra comum \u00e9 a corrupta do sentido \u201ccomo um\u201d. Sua origem monta os princ\u00edpios da sociologia e busca dar sentido aos fen\u00f4menos sociais que atingem a todos, \u201ccomo um\u201d.<\/p>\n<p>Vamos dando botinadas, cabe\u00e7adas nos portais e caneladas em tudo que n\u00e3o vemos &#8211; at\u00e9 que um outro se comporte \u201ccomo um\u201d e mais algu\u00e9m se comporte \u201ccomo um\u201d. Quando uma massa de \u201ccomo um\u201d se forma, \u00e9 porque o comportamento da maioria orientar\u00e1 a todos, deixando ent\u00e3o de ser \u201ccomum\u201d e passa a ser reconhecido como \u201cnormal\u201d &#8211; aquilo ou aquele que segue a norma.<\/p>\n<p>Apenas d\u00e9spotas ou ditaduras corruptas promovem o \u201cnormal\u201d em detrimento ao comum. Norma que se evade do senso comum s\u00f3 funciona \u201csob vara\u201d.<\/p>\n<p>Eu estive por duas vezes na Tail\u00e2ndia e, em ambas, tive a oportunidade de treinar no camp com Khaosai Galaxy &#8211; peso pena com 41 vit\u00f3rias por KO na sua carreira. Ele deve ter uns 1,60m e pesar algo ao redor de 55kg. \u00c9 quase imbat\u00edvel para todas as categorias mas para um advers\u00e1rio peso pesado, n\u00e3o tem \u201cquase\u201d n\u00e3o&#8230; \u00e9 imposs\u00edvel acert\u00e1-lo dentro das regras tailandesas. Uma vez durante os ensinamentos depois do treino, ele nos contou a f\u00e1bula da ilumina\u00e7\u00e3o de Bangcoc. Ele nos contou que o rei Rama I, olhando para por\u00e7\u00e3o mais pobre de sua cidade do outro lado do Rio, separou uns bons cobres e determinou a ilumina\u00e7\u00e3o noturna da cidade. Seu ministro ent\u00e3o recolheu o cascalho do rei e guardou. Ato cont\u00ednuo, determinou ao seu chefe de pol\u00edcia que obrigasse, sob pena de morte, a todos os moradores de ambas as margens do rio, a iluminar suas casas com lampi\u00f5es fortes o suficiente para iluminar suas casas e cal\u00e7adas.<\/p>\n<p>No dia seguinte, o rei Rama I, antes de cair nos bra\u00e7os de Morfeu, foi at\u00e9 a varanda do seu novo pal\u00e1cio e contemplou seu nome, a ser escrito com luz na hist\u00f3ria. O seu ministro ent\u00e3o&#8230; ficou duplamente feliz: por ter cumprido com folga as ordens de seu rei tanto quanto engordou e muito suas finan\u00e7as pessoais com sua parte do butim.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve nem \u201ceu\u201d nem \u201cvoc\u00ea\u201d nem o \u201ccomo um\u201d. N\u00e3o houve o que fazemos em comum nem nada que justificasse o estabelecimento de uma nova \u201cnorma\u201d. Simples assim, como costuma dizer o meu brilhante amigo, Arquiteto Eduardo Manzano: acende ou morre. O normal em Bangcoc j\u00e1 em 1700 e bolinho era de cumprir a ordem. Eventualmente, esta ordem minguou e o rei \u201cquem-quer-que-seja\u201d passou a iluminar a cidade. Normal? Novo normal? Faltou povo nessa hist\u00f3ria absurda&#8230; lembra alguma coisa? Tipo, \u201cTodo poder emana do povo e em seu nome ser\u00e1 exercido\u201d?<\/p>\n<p>Notem que o primeiro conjunto de leis e regulamentos sociais que reconhecemos como normal, tem seis mil anos. O C\u00f3digo de Hamurabi, cuja a origem se reputa ao grande Rei Hamurabi, foi um exerc\u00edcio de compila\u00e7\u00e3o de conhecimento comum. Ao Rei coube apenas compilar e observar o que j\u00e1 era praticado \u201ccomo um\u201d e da\u00ed colocar sua assinatura e transformar em \u201cnorma\u201d. A partir da ilumina\u00e7\u00e3o de Bangcoc e a partir de in\u00fameros exemplos de atos de governo, fica convencionado entre os historiadores que \u201ca norma \u00e9 consequ\u00eancia natural do senso comum e de sua observa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O que temos ent\u00e3o para o jantar de hoje?<\/p>\n<p>\u201cA consci\u00eancia c\u00edvica da classe m\u00e9dia co-existe com o \u201cmedo da vara\u201d que atinge as classes mais baixas.\u201d<\/p>\n<p>D\u00e1 uma folhada a\u00ed no fil\u00f3sofo Austr\u00edaco Hans Kelsen (que na verdade nasceu em Praga) ou no franc\u00eas Emile Durkheim e tudo ficar\u00e1 mais claro, al\u00e9m de divertido!<\/p>\n<p>Achar que o mundo mudar\u00e1, igual roteiro de \u201cGuerra dos Mundos\u201d \u00e9 tomar partido pol\u00edtico contra a na\u00e7\u00e3o, qual seja, contra si pr\u00f3prio. Precisamos antes de mais nada, observar se agimos \u201ccomo um\u201d, se temos um senso que privilegia a sociedade e que podemos chamar de comum. Um novo normal, quando n\u00e3o h\u00e1 concord\u00e2ncia sobre o que \u00e9 ou n\u00e3o aceito pelo bem comum, est\u00e1 fadado a virar o \u201cquase normal\u201d ou mesmo, um \u201canormal\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ditado em comunica\u00e7\u00e3o que diz que a \u201cverdade \u00e9 a primeira v\u00edtima da guerra.\u201d Aqui, nos jatos de tinta da minha impressora, parece-me que emergencialmente um certo Estado quer impor a uma certa Na\u00e7\u00e3o, seus fios de marionete. \u00d3quei, entendi. Emergencialmente, temporariamente. Mas, se temos governos nas 3 esferas que n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o confi\u00e1veis; se temos \u00f3rg\u00e3os de imprensa que s\u00e3o simbioticamente alimentados pelo governo e deste governo tiram seu sustento; se temos oposi\u00e7\u00e3o que (&#8230;) n\u00e3o quero nem pensar e finalmente; se temos um judici\u00e1rio que jamais! jamais! teve legitimidade para nos representar como na\u00e7\u00e3o, eu devo admitir que estamos meio perdidos mesmo&#8230;<\/p>\n<p>Ordens, contra-ordens, desobedi\u00eancia civil e a falsa independ\u00eancia dos poderes operam seus milagres para que a sociedade exista a sombra da democracia. Porque? Sei l\u00e1. Eu deixo a resposta com voc\u00eas.<\/p>\n<p>Mas normal e\/ou anormal, precisam de um pouco de participa\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>Algo ali, tipo 99%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Gavinho \u00e9 executivo da \u00e1rea de hotelaria com 30 anos de experi\u00eancia, s\u00f3cio e Diretor da MTD Hospitality, Diretor Executivo\u201d da Dee Participa\u00e7\u00f5es e professor do curso de MBA em hotelaria de luxo e do curso de MBA em arquitetura de luxo da Faculdade Roberto Miranda. 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