{"id":7101,"date":"2021-04-22T10:20:39","date_gmt":"2021-04-22T13:20:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/?p=7101"},"modified":"2021-04-22T10:20:39","modified_gmt":"2021-04-22T13:20:39","slug":"vozes-de-mulheres-do-passado-e-do-presente-revelam-o-autoritarismo-de-suas-epocas-em-o-plantio-das-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/vozes-de-mulheres-do-passado-e-do-presente-revelam-o-autoritarismo-de-suas-epocas-em-o-plantio-das-palavras\/","title":{"rendered":"Vozes de mulheres do passado e do presente revelam o autoritarismo de suas \u00e9pocas em O Plantio das Palavras"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_7102\" aria-describedby=\"caption-attachment-7102\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7102\" src=\"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/pe\u00e7a.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/pe\u00e7a.jpg 600w, https:\/\/www.pqn.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/pe\u00e7a-300x148.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-7102\" class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estreia no dia 27 de abril, ter\u00e7a-feira, 18h30, pelo Youtube do Canal Infinito Ontem, O Plantio das Palavras, espet\u00e1culo audiovisual in\u00e9dito com texto e dire\u00e7\u00e3o de Denizart Fazio. No elenco, est\u00e3o Emilie Becker e Jana\u00edna Mello. A pe\u00e7a-filme, criada com recursos do ProAC Expresso Lab &#8211; Aldir Blanc, se passa em dois momentos distintos: 1964, ditadura civil-militar brasileira, e 2021 &#8211; no dia exato em que a pe\u00e7a est\u00e1 sendo exibida.<\/p>\n<p>O Plantio das Palavras \u00e9 o desdobramento de um trabalho maior cuja pesquisa foi iniciada antes da pandemia do novo coronav\u00edrus, chamado Infinito Ontem &#8211; projeto que ser\u00e1 montado presencialmente quando for poss\u00edvel cessar o per\u00edodo de distanciamento social. Denizart Fazio, diretor e autor de O Plantio das Palavras, conta que a base desse trabalho \u00e9 a discuss\u00e3o sobre mulheres que dedicaram suas vidas na luta contra a ditadura civil-militar brasileira.<\/p>\n<p>Na obra, uma mulher acorda de um pesadelo que anuncia acontecimentos do passado pr\u00f3ximos \u00e0 sua realidade. Nele, a sociedade est\u00e1 tomada por for\u00e7as teocr\u00e1ticas e conservadoras que se aproximam cada vez mais dos militares. A narra\u00e7\u00e3o de seu sonho se alterna com cenas do passado que revelam informa\u00e7\u00f5es sobre a antiga inquilina dessa mesma casa &#8211; uma militante oposta \u00e0 ditadura que escrevia cartas e poemas sobre seu tempo, entre as quais constam planos para uma revolu\u00e7\u00e3o capaz de desarmar as for\u00e7as do regime militar.<\/p>\n<p>O encontro dessas cartas, escondidas no assoalho, e caracter\u00edsticas do momento atual do pa\u00eds sustentam a narrativa. &#8220;A grava\u00e7\u00e3o tem trechos em plano-sequ\u00eancia feitos com muitos cuidados cinematogr\u00e1ficos, mas o tom \u00e9 teatral&#8221;, adianta Denizart. &#8220;A c\u00e2mera que acompanha essas mulheres \u00e9 o ponto de vista de uma pessoa a quem elas est\u00e3o sempre se dirigindo. Esse olhar testemunhal, que n\u00e3o sabemos exatamente de quem se trata, pode ser lido como o olhar do p\u00fablico ou com o pr\u00f3prio passado&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>O trabalho traz a ideia de dist\u00e2ncia temporal e simultaneidade de lutas, o que revela uma pluralidade discursiva dessas personagens. O procedimento dramat\u00fargico de habita\u00e7\u00e3o de muitas vozes em uma mesma personagem \u00e9 um tra\u00e7o da dramaturgia de Denizart Fazio que est\u00e1 no cerne do espet\u00e1culo. A grava\u00e7\u00e3o, feita em um casar\u00e3o de 130 anos no bairro da Bela Vista (S\u00e3o Paulo &#8211; SP), refor\u00e7a a ideia dessa dist\u00e2ncia temporal que separa as duas mulheres.<\/p>\n<p>Luiz Fernando Marques (Lubi), diretor do Grupo XIX de Teatro, trabalhou como orientador c\u00eanico de O Plantio das Palavras. Segundo o artista, que testemunhou a cria\u00e7\u00e3o do projeto desde sua concep\u00e7\u00e3o, a adapta\u00e7\u00e3o do trabalho anterior para o formato audiovisual tem texturas e sonoridades que geram estranhamento ao espectador. &#8220;O trabalho tem um lugar imag\u00e9tico muito forte em que \u00e9 poss\u00edvel ver o que vai sendo desenterrado&#8221;, diz Lubi.<\/p>\n<p>O diretor complementa que O Plantio das Palavras tamb\u00e9m trabalha muito com a ideia de um eco do passado que vai se tornando, aos poucos, uma voz grossa e autorit\u00e1ria. &#8220;Mesmo sendo um desdobramento de Infinito Ontem, essa obra ganhou inteireza, uma independ\u00eancia do texto original. \u00c9 uma hist\u00f3ria desagrad\u00e1vel, inevitavelmente familiar&#8221;, finaliza.<\/p>\n<p><strong>Sinopse<\/strong><br \/>\nDuas mulheres que vivem em momentos espec\u00edficos da hist\u00f3ria brasileira (1964 e 2021), separadas por mais de cinquenta anos, veem-se em situa\u00e7\u00f5es muito similares: o enfrentamento \u00e0 repress\u00e3o pol\u00edtica. Em 2021, uma mulher encontra um conjunto de cartas no assoalho de sua casa, cartas de militantes contra a repress\u00e3o militar em 64, e passa a investigar um suposto grupo de sabotagem a pr\u00e9dios ligado \u00e0 repress\u00e3o chamado O plantio das palavras.<\/p>\n<p><strong>Trecho da pe\u00e7a<\/strong><br \/>\nMuitas pessoas estavam assistindo, como se fosse um culto.<br \/>\nA cada palavra, n\u00e3o d\u00e1 para dizer que eram palavras, mas a cada coisa que sa\u00eda das bocas daqueles homens, elas levantavam as m\u00e3os.<br \/>\nAleluia.<br \/>\nA cada salva de tiros.<br \/>\nLembro de ter pensado ou dito que eles deviam achar que aquilo era a salva\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs tiros.<br \/>\nPorque as balas atingiam algumas pessoas e eu via elas caindo sangrando, mas ningu\u00e9m parecia sentir qualquer coisa. Ningu\u00e9m percebia. Ou se importava, n\u00e3o sei<br \/>\nTinha muito sangue.<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><br \/>\nDramaturgia e dire\u00e7\u00e3o: Denizart Fazio<br \/>\nProvocador c\u00eanico: Luiz Fernando Marques (Lubi)<br \/>\nElenco: Emilie Becker e Jana\u00edna Mello<br \/>\nCenografia e figurino: F\u00e1bio Luiz de Jesus<br \/>\nDesenho de luz: Rafaela Romitelli e Tereza Nardes<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o musical e opera\u00e7\u00e3o de plataforma de streaming: Ivan Alves<br \/>\nCapta\u00e7\u00e3o de imagens: Cassio Rothschild, Lucas Gervilla e Tereza Nardes.<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Cassio Rothschild (Trim Produ\u00e7\u00f5es)<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\nTransmiss\u00e3o online pelo Youtube &#8211; Canal Infinito Ontem<br \/>\nDias 27, 28, 29 e 30 de abril, com exibi\u00e7\u00f5es \u00e0s 18h30 e 20h.<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 50 minutos<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 10 anos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estreia no dia 27 de abril, ter\u00e7a-feira, 18h30, pelo Youtube do Canal Infinito Ontem, O Plantio das Palavras, espet\u00e1culo audiovisual in\u00e9dito com texto e dire\u00e7\u00e3o de Denizart Fazio. 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