121 anos de Dom Casmurro reforça importância do romance de Machado de Assis para literatura nacional

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Foi em 21 de fevereiro de 1900 que os brasileiros compartilharam da angústia de Bento Santiago – sem saber se Capitu o havia traído com seu melhor amigo, Escobar, ou não – pela primeira vez. “Dom Casmurro”, que anos depois de sua primeira publicação se tornou uma das maiores obras da literatura nacional, senão a maior; foi bem recebido pela crítica desde sua primeira edição. Medeiros e Albuquerque, por exemplo, comparou o romance de Machado de Assis à Otelo, de Shakespeare.

Passados mais de 120 anos desde a publicação de “Dom Casmurro”, o livro ainda exerce ampla influência na literatura nacional. Tendo o ciúme como temática, Machado de Assis apresenta seu olhar crítico em relação à sociedade brasileira.

“Dom Casmurro” ainda fez algo que até então era inédito na literatura nacional: alterou a recepção do público em relação ao livro de acordo com a mudança de pensamento da sociedade.
Em 1900, quando foi lançado, o romance era visto como um claro relato do adultério sofrido por Bentinho. No entanto, com o passar dos anos, quando a discussão a respeito dos direitos das mulheres ganhou força, a partir da década de 1960, “Dom Casmurro” passou a ser interpretado como a expressão de um ciúme doentio. Recentemente uma terceira interpretação ganhou força.
Nessa perspectiva, Bentinho seria apaixonado por Escobar e, por isso, não suportaria um relacionamento de seu amado com Capitu. A tese, embora não muito famosa quanto às duas primeiras, se sustenta a partir da maneira romântica e suave que Bentinho descreve Escobar.

A trama narrada em “Dom Casmurro” nunca aconteceu na vida real. Entretanto, o debate acerca de uma possível traição de Capitu já dura há mais de um século.

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